Voltei

Galera, voltei. Voltei pra casa, pra vida "normal". Voltei pro blog. Não pra ficar, mas sim pra sempre IR.

A falta de contato tem um bom motivo. Em tempo recorde conseguimos finalizar o primeiro álbum fotográfico da viagem. Tem 256 páginas, mais de 700 fotos, textos, está subdividida em três grandes partes. A Natureza, a História e o Brasil Hoje, este último capítulo subdividido em 27 partes iguais, com 6 páginas dedicadas a cada uma das 27 capitais que desbravei. O álbum foi patrocinado pela Volkswagen.

Não convidei todo mundo porque fizemos um evento fechado de lançamento, somente para equipe. Foi uma confraternização em um espaço da Volks.

Para o Diário de Bordo, que começo a escrever em janeiro, já estão todos os convidados e os ganchos para as redes aqui em casa já começaram a ser instalados.

Não percam na página a promoção de lançamento do livro. Está valendo a pena. E assim vendendo livro, logo, logo tem outra viagem.

Bjus a todos.

Na fotos, a capa da obra e um pouquinho do evento de ontem.





Escrito por Eduardo Fenianos às 11h49
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Acordando no último dia de viagem. Eu e a casa 365.

Centésimo octagésimo quinto dia de viagem. O dia da volta. O texto vai hoje porque ontem a internet móvel despirocou ao chegar em casa. Decerto pensou: "Se eu sou móvel, por que tenho que trabalhar em casa?"

A noite no parque não foi das piores. Antes de dormir ainda bati um papo com o Edivaldo, que é guardião na região. "Não vai me chutar, hein. Vou dormir em uma rede por aí."  Como se repetiu em toda a viagem, tirando apenas a BR 316, quando dormi ao som dos caminhões no movimento Sem-Terra, a cama-rua, foi tão boa quanto da minha própria casa.

Acordei três vezes à noite. A primeira com a voz de algumas pessoas. A segunda com alguns morcegos sobrevoando a rede. Será que me chuparam? Se eu virar urbe vampiro a culpa é do Lula e da Dona Marisa. A terceira com o frio do alvorecer. Nessa última já eram 5:30 h da manhã. Hora de zarpar. Permaneci um pouco na cama,  saboreando o gosto da missão cumprida. Aquele era o dia da certeza. A resposta para todas as dúvidas. Será que eu vou conseguir? Será que a urbenave vai suportar? Será que vou voltar? Vou ser bem tratado? Vou agüentar o tranco? Vou cumprir os prazos? Vou ser assaltado? Vou ser violentado? Como é o Brasil? E o brasileiro? Todos os medos e dúvidas já tinham resposta. A resposta dada pela convivência e pela realidade.

AGRADEÇO A CADA UM QUE ME RECEBEU EM SUA CASA, ABRINDO AS PORTAS DA REALIDADE BRASILEIRA. NÃO TENHO DÚVIDAS DE QUE VOCÊS SÃO ANJOS QUE UM ESCRITOR DIVINO COLOCOU NA MINHA FRENTE.

AGRADEÇO TAMBÉM A VOLKSWAGEN, À AUTOVISÃO, AO BANCO VOLKSWAGEN E A TODOS OS OUTROS PARCEIROS QUE PODEM SER CONFERIDOS NO SITE PELO APOIO NESTA EMPREITADA PARA DESCOBRIR O BRASIL E OS BRASILEIROS DO INÍCIO DO SÉCULO 21.

Nos 1040 km entre Brasília e SP, a primeira multa da viagem. Ultrapassei os limites de velocidade. Seria vontade de chegar em casa? Na saída de Brasília, o fusível do acendedor de cigarros queimou e fiquei sem GPS. Era como se dissessem; "Amigão, se você não souber o caminho de volta pra casa, fica por aí mesmo"

Ah, finalmente estou lendo todos os comentários. Galera, obrigado!! Carol, sua casa está dentro!

Nossas conversas continuam nos próximos dias. Agora com menos freqüência, pois chega a fase da solitária da literatura. Escrever, escrever, escrever! Tendo novidades, entro em contato.

Amanhã publico a prestação de contas de outubro.


Eduardo e a Urbenave em frente ao Congresso Nacional.

Bjus e t+



Escrito por Eduardo Fenianos às 10h29
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De volta ao lar, o Urbenauta tentou conexão, mas o computador e a internet não colaboraram.

Amanhã ele irá escrever contando como foi dormir na rua em Brasília e passará o relatório final da expedição.

Aguardem.

Equipe Urbenauta



Escrito por Eduardo Fenianos às 21h31
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Enfim chegou o dia. O dia da casa 365. As três últimas foram lindas. Como a rua tem sido boa pra mim.

 

Fechei o que faltava em Brasília e às 17:40 fui mais uma vez para o Palácio Alvorada. O presidente está viajando. Já sou conhecido dos seguranças. Acompanhei a troca da bandeira e fui conversar com eles. “Se o presidente não está aí, posso ao menos armar minha rede por aqui?” Se eu fosse um daqueles homens riria muito na minha própria cara. Mas não! Todos foram muito atenciosos em todos os três dias em que permaneci por ali. Quero agradecer a eles a paciência que tiveram comigo e com a urbenave. Todos já têm o meu RG, a placa da urbenave e, se estiverem lendo este blog, vão descobrir que não sou um psicopata.

 

Me explicaram que aquela é uma área de segurança e que se permanecesse por ali, seguramente, seria retirado. No diálogo ou à força. Como prefiro o diálogo, pedi ao chefe da segurança uma sugestão de rua para dormir em Brasília. Ele sugeriu o Parque da Cidade. E aqui estou eu, feito personagem de música sertaneja “dormindo na praça, pensando nelas...”

 

Mas se eu realmente queria viver a realidade deste país, a realidade que vivo agora é a mais profunda e verdadeira que poderia explodir na minha face e na minha coluna.

 

Seria uma contradição dormir em berço esplêndido em um país onde a cultura e a educação ainda dormem na rua. Falei que a última casa deveria ser a casa de todos. Pensava no Palácio Alvorada e ganhei a rua, outra casa que mais do que nunca devemos aprender que é de todos nós.

 

Juro que lutei. E juro ainda mais que não desisti. Um dia Volto a Brasília e VOU DORMIR NO PALÁCIO ALVORADA. Vou viver essa realidade que ainda não vivi.

 

As 365 casas foram conquistadas. Agradeço de CORAÇÃO a cada um daqueles que confiou e acreditou em mim, abrindo a sua realidade pra que nós brasileiros nos conheçamos melhor.

 

Falta agora somente a volta. Amanhã falamos disso. De qualquer forma saibam que dizer que estou FELIZ é pouco pra exprimir o que realmente sinto. É uma paz feliz, um gozo da alma, uma gargalhada do coração.

 


Eduardo e Urbenave em frente ao Palácio Alvorada


Educação e cultura ainda dormem na rua. O parque da cidade foi a minha última casa nesta viagem

 

Bjus e até amanhã



Escrito por Eduardo Fenianos às 21h43
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Cento e oitenta e três dias de viagem. Ontem conheci o carinho e atenção da Tânia ao preparar meu quarto, a noite brasiliense através dos olhos da Carolina e do Gabriel. Hoje cedo conheci uma candanga. Dona Isaura, mãe da Tânia e avó da Carolina. Me contou a história de sua família e o sofrimento dos candangos. Depois disso, rolou aquela feijoada. Sábado muito agradável.

 

Durante à tarde fui, com uma equipe de TV, até o Palácio Alvorada bater na porta de NOSSA casa. “Ô, de casa!!” Veio um segurança. “O presidente não está. Viajou para São Bernardo”. Pensando na grande influência que as mulheres têm em casa, perguntei. “E Dona Marisa?” “Não sei”...

 

Já aportei na casa do Pedro e sua família no Guará.

 

Caraca. Amanhã é dia de casa 365. O homem está viajando. Desisti? Que nada.

 

Amanhã tem mais.



Escrito por Eduardo Fenianos às 22h12
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182 dias de viagem. Hoje o pneu furou! Já chego nele.

 

Acordei sobre o Lago Paranoá, na casa-barco-flutuante-invenção do Marcelo Aranha. É tanta informação na residência, que ficamos viajando nela até às 10 horas da manhã. Depois tomamos outro flutuante do Marcelo, que parecia ter saído do filme Mad Max e partimos para uma voltinha pelo Paranoá. Outros ângulos de Brasília. Na volta, um mergulho no Lago.

 

Depois do almoço, encontrei com o Tiago, urbenauta aqui de Brasília e partimos em busca dos extremos oeste e norte da Capital. Oitenta km rodados pra ver uma Brasília que, surpreendentemente, apareceu com ruas de terra. A capital ainda possui grandes áreas de cerrado. Pra atingir os dois pontos, o Parque Nacional de Brasília, aqui conhecido como Água Mineral por ter várias nascentes.

 

Estrada de barro, pedras, buracos, caminhões. Pouco antes do extremo norte, um barulho forte. A urbenave, coitada, perde o rumo, como se tivesse levado um nocaute. Uma pedra? Uma cratera? Os dois. Pneu furado. E aqui pneu furado não é só um pneu furado. Na nave um pneu furado significa remover um armário inteiro da parte traseira, desfazer algumas ligações e retirar todos as tralhas pra chegar ao step. “CARAI VÉIO!”, Pensei já com um raciocínio brasiliense. Não havia tirada ainda a primeira cueca, quando três caminhões pararam. Os motoristas vieram na direção. Pensei será que ficaram bravos porque fotografei. “E aí, veio, algum problema?”

 

RESUMO: ajudaram a trocar o pneu, a tirar as tralhas e a colocar de novo. Tiagão coordenando tudo e eu entrevistando a galera. ESSE É UM BRASIL BOM!!!!!!!

 

Metas cumpridas. Agora só falta o Catetinho, o Jardim Botânico e o Lula. Me contaram que domingo é aniversário dele. Podia me convidar. Levo de presente o Brasil que eu vi.

 

Hoje durmo na casa da Carolina e de sua mãe Tânia, a oitava criança a nascer em Brasília. Tânia, brasiliense da gema, vai me apresentar outros brasilienses. Carolina vai me introduzir na balada daqui. Urbenauta é isso, galera. Aprende de dia e aprende de noite.

 

Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida.

 

Bjus e até amanhã



Escrito por Eduardo Fenianos às 22h38
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Amiguuuuussss!! Últimos dias de viagem. A luta continua. Desisti do Lula? Que nada!! Resumidamente, muito resumidamente, lá vão as últimas horas.

 

Já alcancei o extremo leste de Brasília. Ao contrário do que já falei não fica no Palácio Alvorada. Fica junto à barragem construída por JK, responsável pela formação do Lago Paranoá. Por sinal, há muita história interessante sobre esta barragem. Muitos desafetos de JK, diziam que a barragem nunca seria formada. Falaram isso por vários anos. JK nunca respondeu. Quando o lago Paranoá finalmente se formou, demonstrando justamente o contrário, o presidente Bossa Nova não perdeu a oportunidade. Mandou vários telegramas com uma frase bem simples. “Encheu, viu?”

 

Ontem com a ajuda do amigo Sandrão Bermudes, invadi o Palácio Alvorada. Não fui preso. Aproveitei uma visita que acontece todas as quartas das 15h às 17hs.

 

De tarde, uma surpresa. O Professor Sebastião que me havia convidado pra ficar em sua casa deu pra trás perto das sete horas. Sandrão Bermudes que estava em Brasília me ajudou mais uma vez. Pedi pra ele ligar. Ele ligou, mas errou o número. Grande erro. Caiu no número da Lauda, mulher alto astral, mãe de outra mulher alto astral, a Laís.

 

Ela é cadeirante. Poeticamente, ela diz ser uma árvore do cerrado. Brinquei com ela dizendo que árvores do cerrado não tem a pele que ela tem.

 

A super Laís, a Super Lauda e o super neto Cauê.

 

Acordei com a Laís toda pintada, preparada pra tirar uma foto. Segui direto de sua casa para um encontro com o Ministro da Indústria, Comércio e Desenvolvimento, o simpático Miguel Jorge. Agradeço o encontro ao Antônio Megale, grande apoiador das Expedições Urbenauta. Na pauta, o trabalho que estamos desenvolvendo e....... "Ministro, dá pra falar pro presidente que gostaria de dormir na casa dele?" Claro que expliquei toda a filosofia e mostrei 10 dos 40 livros que já escrevi. O ministro até me contou uma de suas aventuras. Cruzou a Transamazônica todinha.

 

Ministro Miguel Jorge conhece a Urbenave. Ao lado Antonio Megale.

 

Saí da reunião e voltei a buscar imagens de Brasília. Perto das 16 horas conversei com um braço direito do presidente. Me tratou muito bem. É aniversário do Lula este final de semana. Se ele resolver passar o “niver” em São Bernardo, aí com certeza durmo na rua.

 

Dia lindo em Brasília. Fotografias. Fotografias. Fotografias! Continuo desbravando a capital. Hoje durmo na casa do Marcelo Aranha, um barco construído, idealizado e sonhado por ele mesmo dentro do Lago Paranoá. É uma das casas mais diferentes em que já entrei. Indicação da Raquel. Tudo calmo por aqui. Ah! Descobri uma coisa em Brasília. Aqui quem canta mais alto não é o presidente, os deputados ou os senadores. Aqui quem canta mais alto são as cigarras.

 

Beijos e t+



Escrito por Eduardo Fenianos às 23h13
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Ontem comecei a desbravar os extremos de Brasília. Iniciei pelo sul, no encontro do Riacho Fundo, de águas ainda limpas, com a DF 0047 EPAR. Parece um elemento químico que a gente encontra na tabela periódica, mas é nome de Avenida em Brasília. Apesar disso, estou descobrindo que as ruas da cidade têm alma. Está rolando uma química entre nós. Estamos discutindo um pouco, mas sei que esse namoro vai dar certo. No extremo sul, cágados, um jacaré, cerrado e operários construindo outra ponte junto ao rio. São filhos de candangos. São candangos filhos. Nesse ponto nada de diferente em Brasília. Também no sul, fui conhecer o zôo da cidade. Lindo. Organizado. Um parque onde as pessoas podem fazer piquenique. Um Problema: fiquei dez minutos esperando que a enxurrada de carros me desse uma chance de fazer o retorno. Não deram. Andei mais 2,6 km até um "balão" mais fácil.

Ontem à noite, por volta das 7 horas, o Tiagão me entregou ao André. Além de me receber, ele me arranjou um outro lugar pra dormir. Coisas do Thiago que é um professor hiper ativo, hiper hospitaleiro, hiper genteboa e hiper torcedor do Náutico.

Com a ajuda do André, fiz um safári noturno por Brasília. Linda de dia. Vestido de noite. Maquiada pelas luzes.

Acabo de olhar com mais atenção para o mapa. Os extremos norte e oeste parecem fáceis. O extremo leste é o Palácio Alvorada, bem juntinho ao Lago Paranoá. Carmba, Lula! Libera a casa aí!!!

Amanhã tenho um encontro com um Ministro. Vamos ver no que dá. Juro que estou tentando de todas as formas.

Na imagem, eu com Brasília, na foto do Ronaldo Oliveira, a quem agradeço, e uma das belas formações arquitetônicas da CAP.






Escrito por Eduardo Fenianos às 10h41
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Dormir na casa de Dona Elselina era um compromisso firmado desde o meu primeiro dia em Goiânia. “Se você não passar aqui em casa antes de ir pra Brasília,  nós fechamos a BR”, disse o Junior do alto dos seus 2 metros de altura por 1 de largura. Pra garantir o pacto fui almoçar na casa deles e já aproveitei pra dormir. No almoço, feijão tropeiro, salada e churrasquinho ao modo goiano. De sobremesa, cuca ou cuque de goiabada. No final da tarde ainda fui visitar a família do Seu Carmelito e Dona Catarina. E aí dá-lhe bolinho de polvilho frito, suco de abacaxi e outros quitutes. Quando voltei à casa da Dona Elselina, ela já estava preparando um jantar. Pela primeira vez nesta viagem recusei comida.

 

Acordei às 8:30 na cama do Junior, o filho da Dona Elselina, que trabalha como vigia. Aquele mesmo que me intimou. Por isso a cama livre. Sonhei muito. Inclusive com o Palácio Alvorada. No livro conto o sonho em detalhes. No café da manhã, toda a vizinhança reunida junto à mesa com bolo salgado, bolo doce, pão, presunto, queijo, três tipos de suco, várias frutas. Parecia hotel. Mas hotel não tem a amizade, o carinho e o respeito dessa turma. E tudo começou em Belém, quando conheci o Lincon, filho da Dona Lina que está estudando Medicina por lá. Antes de partir conheci o Luis, o engenheiro da rua que construiu uma fogão à lenha móvel, e o pé de jabuticabas da casa da Angelita. Saí com um saco cheio delas. Comecei a me despedir de Goiânia perto das 10 horas e só consegui sair da cidade ao meio dia. Peguei um congestionamento de amigos. Êêêêêê, Goiânia.

 

Cruzei os 210 Km da BR 060 e, depois de 178 dias de viagem e 355 casas desbravadas, cheguei a

 

BRASÍLIA

 

Já estou na casa do grande Thiago Magalhães. Soraia, o gps, que vai continuar com este nome, está tentando entender a organização de suas ruas. Vou estudar os mapas hoje à noite e amanhã começo a desbravar a CAPITAL FEDERAL.

 

Bjus e t+



Escrito por Eduardo Fenianos às 20h50
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Finalizei Goiânia. Alcancei todos os seus extremos. Entre ontem e hoje minha viagem maior foi pelas praças, pelas feiras e pelos goianienses.

 

Conheci bandas de rock, bares, pessoas. Goiânia tem muito gosto pelo sertanejo, mas também adora Rock n’roll.

 

Ontem dormi na casa do Sr. Carmelito, Dona Catarina e dos filhos João Paulo, João Antônio, Gerusa e Antônio (neto). Hoje, domingo, minha família é a do Manoel, Célia, Gabriel e Junior.

 

Saio de Goiânia com 355 casas desbravadas. Trezentas e cinqüenta e cinco realidades diferentes. Faltam 10 pra atingir a meta. Falto pouco. Amanhã parto pra Brasília. Sigo com uma certeza na cabeça. A casa de número 365 é o PALÁCIO ALVORADA OU A RUA.

 

Bjus e t+



Escrito por Eduardo Fenianos às 07h57
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Cento e setenta e cinco dias de viagem. Hoje alcanço a 350º casa desbravada. Será do Alessandro e sua família. Até o momento está confirmado.

Ontem à noite quase explodi de tanto comer pirarucu na casa da mãe da Shirlei. Iniciei com dois pratinhos do caldo do bicho. Coisa LEVE!! Uns quarenta minutos depois veio o encontro com o prato principal: o filé de pirarucu, acompanhado de pirão, arroz e salada. O filé é temperado da mesma forma como se tempera o churrasco no sul do país e assado na brasa também como se fosse um churrasco. É muita carne de peixe. É muito bom.

 

Aproveitando esta energia dos pratos goianienses, já consegui desbravar os extremos norte, oeste e sul, além do centro da cidade. Hoje também andei de ônibus, visitei o zoológico e iniciei a busca do extremo leste. Ainda sem sucesso.

 

Que hoje, as imagens falem mais dos que as palavras.

 


Goiânia vista da região norte.


Norte de Goiânia.


Oeste de Goiânia.



Escrito por Eduardo Fenianos às 21h37
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A primeira ligação do dia foi da Anny. "Eduardo, já tem lugar pra dormir hoje?" Havia acabado de acordar. "A Sheila está te convidando pra dormir lá e comer uma peixada". "Tá combinado". Ontem não foi diferente. Oito horas da manhã. O Alessandro da Belcar  - revenda Volkswagen aqui - liga. "Eduardo, hoje tem futebol e churrasco da turma aqui da loja. O Claudionor, está te convidando pra comer, churrasco, jogar futebol e já dormir na chácara dele". "Beleza. Seis horas me encontro com vocês".  Pelo jeito aqui em Goiânia, em matéria de pouso e acolhimento o único problema que posso ter é de excesso de carinho e hospitalidade. O Goianiense preza muito pela amizade e a convivência, pelo que posso observar. Também é um povo muito educado, calmo e paciente. Já vou explicar porquê.

Ontem dei um descanso pra urbenave e desbravei toda a região central a pé. Que delícia. Observar a cidade com calma. Saí da Praça Cívica, Marco Zero da cidade, e segui por toda a Goiás e arredores, observando e conversando com as pessoas sentadas nos bancos que ficam entre um e outro lado da rua. Ainda cruzei a Anhangüera e as ruas próximas. Peguei a Alameda dos Buritis até chegar ao Bosque dos Buritis. É um paraíso gaianiense. O som dos carros vai embora. É como se a luz do mundo se apagasse, o calor excessivo do meio dia fosse embora e você tivesse colocado um pijama ou chegado em casa depois de um dia inteiro de muito trabalho. Tirei algumas fotos. Poucas. Vi uma árvore. Um tronco. Não, não era um tronco. Era uma cama. Encostei a mochila e deitei. Cochilei. Sonhei que Goiânia tinha praia. Andei um pouco e observei que este cochilar no Bosque dos Buritis é um costume goianiense. O Buritis é o Central Park de Goiânia. Na hora do almoço, quem trabalha no centro come rapidinho pra vir dormir ali. E aí é que essa educação e calma do goianiense transparece. Adivinhem quantas pessoas acordei pra entrevistar? "Moço, desculpe acordar você, mas dá pra gente bater um papinho?" Se fosse eu mesmo me acordando diria "Sai daqui, seu mala". Mas não. Todos me receberam com toda a atenção, me explicaram seu jeito de ser goiano e voltaram a dormir.

Dali parti para a Praça Cívica. Vi gente usando guarda-chuva como guarda sol. Entrei no Museu Goiano. Crianças aprendendo a cidade. Cruzei a Goiás mais uma vez. Agora de urbenave. Fotografei a antiga Estação Ferroviária. Hoje digital. Trafeguei por toda a Anhangüera. Caraca. Como tem camelódromo em Goiânia. Fui. Voltei. Parei no Mercado Central. Empadinha. Empadão
Goiano. Guaraná. "Treis real". Conheci Dona Eulália. Baiana. Goiana. Brasileira. Me ensinou as propriedades do Baru, do Pequi, do mel. De todos se faz tudo. Óleo, licor, conserva. "Esse país tem tudo. Só falta gente pra cuidar dele direito". É a comerciante mais antiga do Mercado. Comi Baru. É
melhor do que chicletes. Me deu sua castanha. "Esse é o Viagra do Goiano".

Fui embora. Fui jogar futebol, comer churrasco, com o pessoal da Belcar. Dormi na chácara. De noite tem peixada na Shirlei. Quanta Goiânia. Quanta convivência. Quanta amizade.

Nas fotos, a Dona Eulália e a turma do futebol da Belcar.






Bjus e t+



Escrito por Eduardo Fenianos às 11h12
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Goiânia, 14 de outubro de 2008.

 

Ontem depois de 880 km de bom asfalto, uma balsa, buracos, um susto, estradas sem acostamento, estradas com o acostamento melhor do que o asfalto, aportei em Goiânia. Eram 16:30 h. Já na chegada, invadi um bairro em busca de uma imagem do amontoado de prédios que despontou na frente dos faróis da urbenave.

 

Era Goiânia. “Caralho. Maior do que eu pensei.” Queria muito estar ali. Agradeci umas três vezes. Até ela, atravessei a última longa estrada antes de chegar em Brasília. Havia partido de Campo Grande às 5:30 h pra enfrentar uma estrada que todos disseram que estava péssima. Nem tanto. Parece roupa que a gente usa em festa junina – toda retalhada – mas está trafegável. Seja de carro, de avião, de ônibus, de urbenave, a pé, Goiânia vale a pena.

 

Estou na cidade há cerca de 30 horas. Já visitei o Centro Cultural Oscar Niemeyer, a Praça Cívica, a Avenida Anhangüera, o Parque Flamboyant e outros pontos turísticos. Mas o mais interessante deles é o goianiense. Se eu dormir na rua aqui é porque sou muito incompetente. Já na chegada, quando parei na Belcar pra fazer a revisão da urbenave, brotaram 4 camas. Mas havia combinado com a Dona Lina, mãe do Lincon que me recebeu em Belém. É a casa mais visitada do Jardim Novo Mundo. O portão fica aberto. O pão e o queijo ficam em cima da mesa da cozinha. E a vizinhança, já no início da manhã se reúne toda ali. Que galera gente boa!

 

De tarde, mais rua. Mais Goiânia. No final do dia, fui ao shopping. Sei que é estranho. Eu no shopping é estranho. Fui à meca do consumo por dois motivos justos: o show do Rolando Boldrin e pra me encontrar com a Marisa, que me hospeda hoje. Soraia – o gps vai continuar com esse nome – está completamente perdida por aqui. Imaginem em Brasília.

 

Nessas 30 horas de Goiânia, já experimentei pequi, jurubeba, galinha na panela de ferro, o pão de queijo da Dona Lina, pamonha de sal, bolacha de goiaba, carinho, respeito e amizade.

 

Estou notando que em Goiânia a gente engorda. Engorda o corpo. Engorda a alma.

 

Espero que seja assim pra sempre.

 

Nas fotos, o parque Flamboyant, o jardineiro cuidando de um dos vários jardins que a cidade tem e o que sobrou da galinha que a Dona Lina preparou.

 

 

 

 

Bjus e t+



Escrito por Eduardo Fenianos às 22h40
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Quero agradecer o carinho com que o povo de Campo Grande me recebeu. Também quero agradecer o empenho do Jair e da Vanessa em me guiar e desbravar casas comigo. Com a ajuda deles voltei a estar dentro do planejado.

 

Ontem, na casa do Duílio, conheci uma galera que parecia ser amiga há muito tempo. Comi puchero (é assim que escreve), joguei truco e até uma violinha deu pra tocar. Depois fui acompanhar o show do Marcos e Danilo, dupla boa na voz e no truuuuuuuco.

 

 

Pensei em ficar apenas meia hora. Mas como o tempo passa rápido e a turma aqui adora um sertanejo, fui dormir às cinco da matina.

 

Hoje acordei às 8:30 pra desbravar mais casas e o que restava de CG. Entre elas, duas em uma aldeia urbana. Já na entrada, fui barrado por um morador que dizia que não poderia andar nas ruas do local. Teria que falar com o cacique. Achei estranho. Afinal, toda a rua é pública. Mesmo assim, fui. O cacique não estava. Bati palmas, gritei. CACIQUE!!!! Nesse ponto já estava cercada pela criançada do bairro aldeia. Uma delas, a Brenda, me levou à sua casa. Juntamos toda a criançada e preparamos a pose. No meio do processo, uma voz nervosa veio da rua: “Quem autorizou você a entrar na minha casa?”

 

“Xiiii, vai dar confusão”. Foi meu primeiro pensamento. Como educação, respeito e diálogo têm sido minha maior arma, antes de tudo pedi desculpas.

Perguntei o nome dele. Falei o meu. Expliquei que a culpa não era da filha dele, que era minha. Expliquei a viagem. Me desculpei outra vez. Falei.

Falei. Conversei. Conversei. Cinco minutos depois já estava tomando tereré com o Valdemiro, que trabalha como vigia, e com o Célio, que é operário, seu vizinho de casa. Me revelaram o que é viver em uma aldeia urbana, com ruas, casas, muros, portões e contas a pagar. Muiiito bom.

 

 

Hoje durmo na casa do meu mais jovem anfitrião: o Afonso. Tem 12 anos. Me conheceu na palestra que dei para os alunos do Colégio Militar. Quando soube que me desafio era dormir cada dia em uma casa diferente, ligou para os pais, pediu autorização e aqui estou eu na casa dele.

 

Nesta segunda parto pra Goiânia. Bjus e T+

Escrito por Eduardo Fenianos às 00h02
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Meus dois últimos almoços de ontem pra hoje foram bem diferentes dos que normalmente tinha antes de viajar.

 

Ontem, buscando o extremo oeste de Campo Grande, almocei as últimas sobreviventes do pé de acerola da Dona Maria e uma banana que veio de sua geladeira. Na hora de eu ir embora, Dona Maria falou “Gostei muito de você ter vindo aqui”. Ganhei o dia.

 

Dormi na casa da Fabiane, do Luis Felipe e da Beatris, que adora tirar fotografia.

 

Perto das 8h30 rumei para o extremo sul de Campo Grande. Pelos meus cálculos, 214 km pra rodar. Depois de uns 60 km cheguei a Anhundaí, distrito de Campo Grande. É o bairro da pimenta, que sobrevive da pimenta, onde conheci a Maria Pimenta.

 

 

Batemos um bom papo misturando ser humano com pimenta. Valeu. Andei mais 140km vendo somente pasto e áreas destinadas à plantação até avistar uma região de mata fechada. Pensei: “Tem rio ali”.  Peguei as máquinas. Atravessei o asfalto. Resolvi voltar. Entrar naquele matão de tênis, bermuda e sem meia... Imprudência total!! Tirei do bagageiro um protetor especial para as pernas e entrei no mato. Foi o tempo de pisar no chão seco do cerrado e ver a jararaca pulando. Com a segurança do protetor não tive receio de chutá-la. SUSTO FILHO DA MÃE! Continuei a caminhada com aquele cagaço, vendo qualquer galho no chão ficar com cara de cascavel. Não adiantou muito. Não tinha rio nenhum por ali. Estudei o mapa novamente e segui. Por sorte o mapa e o gps esqueceram de indicar uma estradinha. Dois senhores estavam parados bem na divisa entre o asfalto e estrada de chão.

 

“Bom dia”. “Dia”. “Moço, por acaso seguindo por aqui eu chego no Rio Anhanduí?” “Opa. Segue 4km reto, vira à esquerda depois da Fazenda Santa Ana e segue mais 3km.

 

Fiz isso, curtindo muito aquela estrada de chão. Sete km depois, o Rio Anhanduí. Bem ao lado dele uma família acampada. Seu Milton, que já na minha parada levantou o prato e disse: “Servido?” Pensei: “Ahhhh, não acredito. Andei 208 km pra chegar no extremo sul de Campo Grande e ter um almoço me esperando!! Isso é que é receptividade!!!” Fotografei e filmei o rio por uns 15 minutos e voltei pro acampamento. Seu Milton me chamou pra ver uma minúscula colméia de jataís, um tipo de abelhas que, segundo sua esposa, Lúcia produzem um mel delicioso. Elas têm o tamanho de um pernilongo e não picam. Ou seja, são os seres perfeitos. Eles pescam ali há 4 anos e dizem que aquele ninho nunca saiu dali. Como se fosse o Marechal Cândido Rondon, declarei que o ponto extremo sul de Campo Grande era ali.

 

 

Quando já estava pensando que o Miltão estava esquecendo do almoço, ele disse: “Agora larga essa câmera e vem comer”. Me mostrou churrasco, feijão, arroz, salada. Galera, que almoço! Sentei no saco de milho usado pra sevar os piaus e almocei como se estivesse no restaurante mais chique do planeta.

 

 

Na volta ainda parei em Anhanduí. Queria levar uma pimentinha. Adoro pimenta. Inclusive na vida.

 

Havia, planejado visitar o extremo leste hoje também. Mas não deu. Tinha muita gente boa no caminho.

 

Hoje durmo na casa dos pais da Vanessa, a namorada e futura esposa do Jair, que está me ajudando a caçar casas em CG. Me recebem o Seu Iron, Dona Cida, Willian, Dona Abadia e Seu Izoldino. Estes dois últimos foram casados por mais de 50 anos e se separaram aos 70 anos de idade. Os motivos eu conto no livro da viagem.

 

Bjus e t+



Escrito por Eduardo Fenianos às 09h10
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